Há amores que apenas são eternos, enquanto durarem.

Quando falamos de amor, falamos de eternidade.

E o quão longe é a eternidade.

Embarcamos em aventuras de amor desejando eternidade sem ter noção de que há amores que apenas são eternos enquanto durarem, e isto porque amar não chega, aliás amar é até muito pouco.

Por isso, para ti que desculpas todas as tuas atitudes com um — Mas eu amo-te! — Talvez devas saber que não é o suficiente. Mesmo para mim que sou uma eterna apaixonada ainda é difícil de clarificar, mas a verdade é que assim o é, por mais que faça por acreditar que há fases mais complicadas, fases menos boas que são intensificadas pelas rotinas, pelos cansaços, pelas discussões e pelos dias menos bons.

Depois, há claramente momentos de reencontro com a realidade ou as famosas “chapadas de luva branca” onde a racionalidade chega e nos comanda, onde nos deparamos de que não há nada pior do que nos prendermos a alguém que já nada nos acrescenta ou intensifica simplesmente porque estamos apaixonados ou porque receamos a solidão, não há nada pior que nos prendermos a uma chama já pouco acesa, sendo o amor fogo que quando não alimentado desaparece, porque simplesmente não chega, e o amor sozinho nunca chegará.

O amor deve ser uma prioridade dos dois para que um dia se um falhar, o outro por momentos puder amparar. Há que haver cedências, entregas, desejo, autenticidade e entusiasmo de reencarnar sempre algo novo das duas partes.

E o maior problema não está em falhar se aceitarmos as falhas do outro, e se o respeito e sinceridade conduzirem à verdade. O problema está, em empatarmos a vida de alguém, mesmo sabendo que falhamos no que toca a reciprocidade, quando deveríamos assim, pelo menos, abrir a caminho à felicidade de quem já se amou.

Conta-me como és.

Conta-me como és. Quero saber todos os teus medos. Quero saber todos os teus segredos. Quero saber todas as tuas preferências. Quero saber no que pensas ao deitar-te e de que te lembras ao acordar. Quero saber como te sentes, e o que fazes quando estás sozinha. Gostas de estar sozinha? Sentes-te bem com a tua própria companhia?

Quero que me contes como és, como realmente és por detrás de toda esta pressão social, quero saber como és por detrás desta pessoa espantosa que és quando estás rodeada de pessoas. Quero também saber se tens medo do escuro, se gostas de gelados no inverno, se gostas do frio ou preferes o calor. Será que também gostas de ouvir a chuva? Será que te tranquiliza?

Conta-me com és, se dormes muito se dormes pouco, se sabes muito e se sabes pouco. Quero conhecer-te como se estivesses nua para mim, com roupa claramente porque isso podemos deixar para mais tarde.

O que importa aqui e agora é que eu quero que me contes quem és, sem filtros. Quero conhecer-te como nunca ninguém conheceu e embarcar na tua história. Quero saber tudo, para tudo puder fazer. Se tiveres medos quero amparar, se tiveres segredos quero escutar, se tiveres preferências quero acertar.

Isto porque, não quero falhar ou ser um outro qualquer. Porque estar contigo não é digno de um outro alguém, senão alguém merecedor que te conheça bem.

Escapei-te entre os dedos.

Escapei-te entre os dedos. Mesmo quando foram enumeras as vezes em que te avisei — e tinha razão — que me agarrasses com as tuas enormes, mas sempre delicadas mãos que em tempos percorriam as minhas curvas, e mesmo assim deixas-te-me escapar.

Não sei se foi por falta de vontade de fechar o punho, ou simplesmente por pura distração, mas escapei-te. Escapei por onde nunca acharias que fosse escapar, porque nunca acharias que escapasse por tão pouco. E talvez o problema das pessoas seja esse, achar que vão haver para sempre motivos para ficarmos, quando poucos nos dão.

E agora estás aí, provavelmente na defensiva de que estarás bem sem mim, mas por experiência própria, terás o teu tempo. Sei que vais cair na realidade de que já não terás mais quem ature os teus maus estares, quem festeje as tuas vitórias e quem caminhe ao teu lado, lado a lado. E não terás, única e exclusivamente porque por mais que goste de ti, foi por ti que escapei.

Talvez não estivesse tão segura. Talvez o mal fosse achar que estaria segura, fosse achar que seria para ti o que és para mim, mas obviamente estava enganada. Deixei-me estar. Deixei-me estar nas mãos de quem dia acabei por escapar. E repito várias vezes que te escapei, para que não restem dúvidas de que me deixaste faze-lo.

E ainda me lembro de quando te dizia para me agarrares antes que fosse tarde demais e tu, sempre com esse feitio tão moroso e tão sarcástico disseste-me que me agarrarias até com as duas mãos se fosse preciso, e foi preciso, só não cumpriste com a tua palavra.

Ser mulher é viver a dobrar

Ser mulher é viver a dobrar. Não digo isto por o ser, nem tão pouco menosprezo o género contrário. Mas várias são as razões para poder saber e dizer que ser mulher é ver o mundo com ternura, e abrir o coração sem receio daquilo que possa acontecer. Se nos podemos vir arrepender? Talvez, mas somos mulheres e ser mulher é viver entre o tudo ou nada e raramente são as vezes que nos contentamos com o nada.

Ser mulher é sentir tudo de forma mais intensa, valorizar os mínimos detalhes, é agir perante natureza e intuição, mesmo que tenha de se sacrificar. Sacrificando-se quase sempre.

Ser mulher é priorizar e preocupar-se sempre com alguém, talvez seja por isso que nós, mulheres, vivemos das emoções. Ser mulher é viver carregada de multifunções, queremos e achamos que devemos fazer tudo, um pouco exausto diria, mas somos mulheres.

Ser mulher é também ter a coragem para passear sozinha ou até para ser um pouco mais ousada, mesmo sabendo das más intenções que podemos encontrar em cada esquina.

Ser mulher é viver, crescer, estar e permanecer rodeada de obrigações uma vez criadas por outros, é permanecer rodeada de olhares, quando não inclui em si os rótulos que outros criaram, quando não obedece ao padrão e postura indicada para uma mulher, ou quando esta é mãe solteira, sem qualquer culpa das rasteiras que a vida lhe traz, ou qualquer outra coisa dita por outros “anormal”.


Ser mulher é permanecer intacta perante esse julgamento infernal de pessoas que por vezes, a mulher desconhece. Ser mulher é escutar o que não quer, e ter a grandeza para simplesmente estar nem aí. Porque nós, mulheres somos grandes. Nós, mulheres suportamos o insuportável. E acima de permanecemos donas de nós.

Ser mulher, para mim, é isto e tudo mais, e ainda assim permanecer uma mulher indestrutível. Ser mulher é assim, a melhor definição de ser algo.

Quero-te a minha vida toda.

Será assim tão egoísta da minha parte? Pergunto-me eu por querer-te tão compulsivamente. Por não te querer só hoje ou só amanhã. Por não te querer só uma semana, um mês ou um ano, mas sim a minha vida toda. Não sei. Não consigo contentar-me com tão pouco. E esta minha obsessão por querer mais e mais começa a dar que falar.

Faz-me perceber que o amor realmente existe muito de nós, faz-me também perceber que este masturba-nos melhor que ninguém ao ponto dos nossos puros sentimentos não conseguirem sair imunes a situação. E sim o amor exige muito de nós. O amor tenta limitar-nos quando a cada dois passos para a frente nos leva quatro para trás.

Mas…. como todos os “ mas ” das histórias há sempre um bom ou mau partido no seu seguimento. O amor da-nos também uma vibração que nada mais nos fará sentir assim, por mais que procuremos essa vibração em cada coisa que façamos na vida.

O amor da-nos luz, sede, fome e um leve desejo de viver a vida fora dos limites que o amor traz. E a minha vida é amar-te, querer-te e acima de tudo desejar-te e fazê-lo sempre fora dos limites.

Porque o amor tem destas coisas inexplicáveis…

No fim, o amor exige capacidades, assim como a vida ele retira mas também dá, mesmo que leve os seus dias, meses e anos. Há que saber esperar por aquilo que seja nosso e desde cedo disseram-me que o que é para ser nosso, há de ser.

E se a capacidade de amar-te for a recompensa que a vida tem para me dar… Então eu quero viver a vida eternamente.